3 coisas que eu aprendi morando na Holanda

Morar fora é sempre uma aventura. Só que mais do que a aventura de conhecer lugares e pessoas novas, a mudança mais importante é a que ocorre dentro de você. E eu mudei bastante desde que comecei a morar na Holanda. Não daquela forma óbvia, porque, ironicamente, para quem curte tanto uma mudança, o meu corte de cabelo é o mesmo desde os 12 anos. Mas mudei de forma profunda, ainda que visivelmente sutil; principalmente na minha forma de pensar e em como encarar os desafios.

3 coisas que eu aprendi morando na Holanda

 

1. Eu aprendi a me virar sozinha

Antes de vir para a Holanda, eu havia feito intercâmbio de 1 ano nos Estados Unidos. Mas fui para fazer o high school, então fiquei em casa de família. Ao fazer faculdade na Unicamp, cujo campus ficava a uma hora da casa dos meus pais, eu voltava praticamente todo final de semana.

Vir para a Holanda sozinha, sem família, sem amigos, sem qualquer rede de apoio foi uma das coisas mais assustadoras que eu fiz, pensando em retrospecto (mesmo que na hora eu não tenha sentido isso). Estar completamente sozinha em um país tão distante e tão diferente do meu tem sido um aprendizado contínuo. E mais do que o novo país; eu aprendi muito sobre mim mesma.

De repente me vi completamente sozinha, sem ninguém para me ajudar nem nas coisas mais simples. E são em horas assim que aprendi a valorizar mais do que nunca a gentileza vinda de estranhos, e a própria força que eu tenho para resolver problemas. E não só questões práticas; arranjar acomodação, comprar uma bike ou abrir conta em banco é tudo fichinha perto de ter que lidar com aqueles dias mais cinzas. Porque eles podem demorar, mas sempre vem. E aprender a lidar com a angústia, a saudade, e mil outras emoções que você nem sabia que sentia, sem nenhum apoio, é a tarefa mais árdua.

O meu primeiro ano na Holanda (e de certa forma, este terceiro também) foi uma época de recomeços: tive que fazer novos amigos, estudar outras matérias, respirar novos ares. E no fim, há aqueles amigos que são só para tomar uma cerveja no bar. E aqueles que viram família. Família que pode durar um ano ou dez. Pessoas que vem e vão, porque nada é para sempre. Tudo é um ciclo, e tudo se repete. No fim, a única coisa que fica, e única pessoa com quem você contar, é você mesmo.

Essa foi sem dúvida a maior lição que aprendi aqui.

viajar sozinha

 

2. Eu aprendi a julgar menos

Há muitas diferenças culturais entre o Brasil e a Holanda. Eu sempre me irritei com esse pessoal que mora fora e só reclama do país aonde está. Mas não vou negar que de vez em quando eu mesma não conseguia escapar da armadilha e fazia isso também.

Por exemplo, a forma das pessoas se vestirem. Na Holanda, ninguém dá a mínima se você está saindo de casa de pijama, de vestido de festa, ou de um macacão do minion. Aqui, a praticidade reina soberana. E por isso, as pessoas tendem a vestir roupas mais confortáveis, muitas mulheres cortam o cabelo bem curto, os homens holandeses adoram sapato marrom e por aí vai.

E se por um lado no começo eu julgava esse pessoal que andava meio mulambento, hoje eu dia sou eu que vou no supermercado de pijama. Eu percebi que não tem nada de superior ou libertador em viver sempre preocupado com as aparências, ou com a vaidade extrema que inevitavelmente é cobrada no Brasil.

Um exemplo bem besta: eu tive que fazer uma apresentação na faculdade, e me senti surpresa ao escolher um sapato baixo. A Paula de 4 anos atrás teria pulado no salto sem pestanejar. E não tem nada de errado em escolher um ou outro, e sim o fato que você pode escolher o que te faz sentir melhor, sem ninguém ficar julgando.

Paradoxalmente, parar de julgar e criticar as diferenças culturais na Holanda me fez mais crítica da cultura do meu próprio país. E no fim, ser expatriado é isso mesmo: é estar sempre no meio de duas culturas, e tentar se achar no meio disso tudo. E isso me leva ao último ponto:

 

3. Você não precisa escolher um lado

Você pode morar na Holanda, almoçar arroz e feijão e ter vla de sobremesa. Você pode comer brigadeiro e stroopwaffel. Você pode sair pedalando nas ciclovias holandesas ouvindo um samba raiz no fone de ouvido. Com o tempo, você começa a apreciar essa mistura. Você começa a apreciar cada novidade que você se depara no caminho. Nem que seja alguma palavra estranha em holandês que você não consiga pronunciar.

Porque morar fora é isso: é você não entender exatamente tudo que está sendo dito à sua volta. É às vezes precisar que alguém te explique uma piada, ou porque você não domina a língua, ou porque não pegou a referência cultural. É ficar sem entender alguns costumes, e correr o risco de pagar micos. É pagar micos. Pelo menos um por semana, no meu caso. E perceber que algumas coisas vão fugir do seu controle.

E por fim, ver que está tudo bem. E que a graça da vida é justamente essa.

 

path1

Esse post faz parte de uma iniciativa do grupo Blogueiras Brasileiras na Holanda. As lições aprendidas são muitas e o assunto é bem subjetivo. Portanto, não deixe de conferir os pontos de vista de outras blogueiras:

Ana de Amsterdam!

Holandesando 

Bailandesa

Melissa na Holanda

Vivendo na Holanda by Carol Alves

Holandices

Beyond Windmills

Diário de Prato

Blog Metamorfose Fashion

Little Jujuba

2 responses to “3 coisas que eu aprendi morando na Holanda”

  1. Jubs disse:

    Olá! Fiz umas buscas bem propositais no google mês passado pra tentar achar algo além de “por que morar na Holanda”- que ficam em sites não muito específicos. Queria um blog com opiniões de (enfatizo) estudantes! Eu tenho desejo em estudar aí, e tô tentando me preparar. Quero ler mais suas postagens e peço pra não desistir do blog! Logo eu volto!

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