Formatura na Holanda

Faz um mês que eu me formei em Direito Público Internacional na Universidade de Leiden. O fim do meu tempo como estudante e a minha formatura na Holanda me fizeram ter algumas reflexões.

Foi uma jornada um pouco mais longa do que o planejado, mas que valeu muito a pena em retrospecto. A decisão de estudar em outro país nunca é fácil, e por isso é muito importante ter alguns fatores que fortaleçam as suas convicções no caminho: um curso bom, uma cidade bacana de se morar, e uma rede de apoio para os momentos difíceis.

Quando eu fui fazer o meu bacharelado em Global Law em Tilburg, eu achei o nível muito mais alto em comparação ao Brasil. O meu curso na Unicamp não foi dos mais difíceis, mas eu também não achei dos mais fáceis. Conseguir me formar na Holanda, onde o conteúdo era constantemente cobrado em sala de aula e não só nas provas, e ainda por cima fazer isso com honras, foi um pouco mais suado do que eu achei que seria. Em contrapartida, a minha formatura em Tilburg foi muito gostosa: a minha família veio do Brasil, e depois da cerimônia nós fomos jantar com os meus amigos da faculdade e as suas famílias. A cerimônia da minha primeira formatura na Holanda foi ótima e com certeza o reflexo de uma época que vou lembrar sempre com muito carinho.

Se eu já tinha achado o bacharelado em Global Law mais díficil, mal sabia eu na época que as minhas definições de dificuldade seriam atualizadas durante o mestrado. Passei muitas noites em claro, estudei bastante e lutei um pouco contra o monstro da tese, que por minha própria culpa acabou sendo meu companheiro por mais tempo do que devia.

Mas tudo tem um fim, e a cerimônia de formatura em Leiden foi diferente de tudo o que eu tinha visto, mas eu aproveitei cada segundo. No mestrado do meu curso a formatura é individual: você entra na sala (acompanhado de família e amigos se quiser, claro) e lá o orientador e mais um docente estarão te esperando. O orientador faz um pequeno discurso sobre a sua tese e a sua trajetória, e por fim entrega o diploma. É mais intimista do que essas cerimônias grandiosas que culminam em uma sala de 150 pessoas jogando um chapéu para cima, mas eu gostei desse toque pessoal. Mesmo com os problemas, foi um ponto final positivo nessa fase da minha vida.

Depois de receber o diploma, a Universidade de Leiden tem um costume muito bacana: os formandos vão na “Sweat Room”, a sala do suor; lá as paredes estão cheias de assinaturas de outros formandos. A realeza holandesa estudou em Leiden, então é possível encontrar tanto a assinatura do rei Willem-Alexander, como as de sua mãe e de sua avó; Beatix e Juliana, respectivamente. Além disso, quem recebeu o título de doutorado honorário também assinou o nome naquela sala. Tipo Winston Churchill e Nelson Mandela.

É uma honra e ao mesmo tempo um pouco intimidador assinar o meu próprio nome junto a tantas outras pessoas ilustres.

 

 

 

Mas por fim, essa etapa terminou, e eu aproveitei cada segundo. Agora, sem um peso nas minhas costas, estou muito ansiosa para saber o que me aguarda nessa jornada na Holanda.

 

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