Chegando em Amsterdã

Eu escrevi esse texto em 2014, assim que cheguei na Holanda. E pelo fato dele contar as minhas primeiras impressões, e de uma forma bem espontânea, acho que vale a pena postar aqui.

 


Depois de me despedir da família, tive que sair correndo. No balcão do check-in, me informaram que a distância que eu teria que percorrer até o portão de embarque era enorme, que podia ter fila na imigração, blablabla. E lá se foi a Paula atrasada correndo, como de costume.

 

Ao passar pela Receita Federal, a primeira coisa que o cara me disse (antes mesmo de um “oi, bom dia!”) foi:

– Você é de menor?

– …

 

Acho que ser considerada mais nova vai ser a minha sina para sempre. Embora eventualmente isso seja coisa boa, né – ou pelo menos é o que me dizem. Daqui a uns 20 anos, talvez.

 

Já no avião, a viagem foi o que se pode esperar de qualquer viagem internacional de 12h na classe econômica:

Lado ruim: a temperatura do avião não abaixou, então eu estava cozinhando dentro da minha blusa de manga comprida, sentada naquelas poltronas que reclinam aproximadamente 5 graus para conseguir dormir. Não deu muito certo. Tirei vários cochilos curtos, mas não consegui dormir direito. Estava tão quente que não vi ninguém perto de mim abrindo o pacote aonde vinha o cobertor da KLM.

Lado bom: não tinha ninguém tossindo, chorando, ou peidando perto de mim.

Vamos comemorar cada pequena vitória, né.

 

A uma hora do avião pousar no aeroporto de Schipol (que eu aprendi se pronuncia algo entre “srrípol” e “skípol”, e é um som que eu não creio ser capaz de reproduzir tão cedo), fucei no sistema de entretenimento a bordo e descobri que tinha um curso básico de línguas lá. Nada muito elaborado, mas pela oferta de idiomas, dava para se chegar a vários destinos sabendo ao menos as palavras básicas. Sem desculpas para chegar em Amsterdã e não saber que vliegveld é aeroporto em holandês, por exemplo. Ou que kip é frango.

 

Sobrevoando Amsterdã, por mais idiota que seja, o que me chamou a atenção foi água, água everywhere. Ok, eu sei que isso é algo um tanto quanto óbvio. Mas essa foi a minha primeira vez na Holanda, então me permiti ficar surpreendida:

sobrevoando amsterdã

Chegando em Amsterdã pela primeira vez, chega a mão treme de emoção

 

 

Água, água everywhere (e emoções sob controle, imagem mais focada)

E por fim, o desembarque. Chegando em Amsterdã, usei o meu passaporte italiano que foi emitido especialmente para esta ocasião.  Eu já possuía a cidadania, mas nunca tinha viajado com o passaporte europeu antes. Senti na pele a diferença de tratamento quando você é estrangeiro e quando é um deles.

 

Com o passaporte brasileiro, sempre te perguntam ao menos o que raios você está fazendo no país – seja ele qual for. Com o vermelhinho, eu falei “Hi”, o cara falou “Hallo”, olhou meu passaporte e me devolveu. Só isso.

 

Nem um carimbo, cara. Eu toda ansiosa pra ter o primeiro carimbo (“de muitos”, pensava eu, esperançosa) no meu passaporte, e nada. Foi um misto de surpresa, alegria e decepção. E ligeira rejeição também, confesso. Pensei “poxa, você não quer saber nada sobre mim? Por que eu vim, quanto tempo vou ficar, pedir pra ver a minha passagem de volta…? Não quer conversar? Ok. :(”

Lição que fica: se alguém tiver direito a alguma cidadania europeia, tire. Vale a pena.

(também me poupou da dor de cabeça de ter que ir atrás de visto. É só pegar o passaporte, vir e ser feliz)

Preciso deixar claro também que todas as vezes que fui para o Brasil depois disso, sempre pego algum fiscal que fala um pouco de italiano e quer treinar comigo. E eles se ferram, claro, porque eu estudei 1 ano de italiano em 2010 e atualmente não sei falar muito mais do que “pizza!” e “ma che” (fazendo o gesto com as mãos). Nessas horas eu suo frio e me enrolo até pra falar o clássico ciao.

 

Então fica a dica de aprender a língua de todos os países que você possui cidadania, sem exceção.

Passaportes

É um trabalho em andamento.

 

Apesar de tudo, o desembarque e a chegada em Tilburg foram bem tranquilos. E para terminar, eu gostaria de só deixar registrado que depois de 12h em um avião, dois trens e um táxi, eu praticamente desmaiei. Tinha que recuperar as energias, pois o ano estava só começando.

 

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